MUITO PRAZER...

FRANCISCO DE ASSIS

 

 

Aos 26 de setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália, nascia Francisco Bernardone, filho de um rico comerciante da cidade, Pedro Bernardone, e de sua esposa Maria Picallini. Segundo Miramez, no livro “Francisco de Assis”, psicografado por João Nunes Maia, a mãe de Francisco, ao pressentir que chegara a hora do nascimento, não desejou permanecer na mansão, e pediu à sua serva que a levasse até a estrebaria para que seu filho nascesse na simplicidade da pureza dos animais, quase repetindo o quadro do nascimento de Jesus. E assim ocorreu. Naquela noite nasceu Francisco.

Dos 7 aos 14 anos, Francisco portou-se como uma criança comum, recebendo influências tanto do pai quanto da mãe. A partir desta idade, o pai passou a assumir a educação do menino, preparando-o para que se tornasse um grande comerciante, assim como ele era. Francisco, porém. se distinguia do pai. Não gostava da maneira como este tratava os empregados e demonstrava uma grande sinceridade ao lidar com os fregueses. Isso muito aborrecia o pai, que dizia que para ser bom comerciante e ter muito ouro, era necessário ser diferente e não se podia agir com o coração. Mas Francisco já sabia que sua missão não era ser um rico  e poderoso comerciante.

Na adolescência, tentando encontrar seu caminho, Francisco se alistou na cavalaria para defender a cidade de Assis. Não deu certo. Uma vez em seu quarto luxuoso e pensando em seu futuro, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Francisco!... Constrói a minha igreja!...”E a voz se repetiu por duas vezes. Naquele instante, Francisco soube da sua missão. A voz dizia para que ele ajudasse a igreja que estava se enfraquecendo, que ele deveria das o exemplo.A voz era Jesus que lhe falava e lhe disse ainda que, quando quisesse a companhia dele, que o procurasse ao lado dos estropiados, dos famintos, dos oprimidos, dos desabrigados e dos presos que sofrem.

Daquele dia em diante Francisco se considerou livre dos bens terrenos, abandonou a casa luxuosa em que vivia, se despediu da mãe e da serva que muito amava e saiu agradecido ao pai que naquele dia estava ausente. O pai, ao retornar para casa, não aceitou a decisão do filho, saiu à sua busca e o trouxe para casa, deixando-o amarrado por três dias no porão, até que sua mãe, contrariando as ordens do marido, o libertou.

Francisco partiu decidido para o trabalho de reconstruir a igreja de São Damião. A história nos conta que, nessa ocasião, Francisco conheceu um padre que se tornaria seu primeiro discípulo. Depois, com mo tempo e as bênçãos de Deus, como ele dizia, se multiplicaram os seus seguidores em todo o mundo.Foram mais de 200 mil discípulos de Francisco de Assis. Entre eles se destacou, e até hoje é venerado, Antonio de Pádua.

As vestes de Francisco de Assis, como a de seus companheiros, eram sacos já utilizados em outras atividades, presos na cintura por cordões trançados pelas suas próprias mãos. Assim, dentro dessa simplicidade é que eles viviam.

Francisco foi ao Vaticano, em Roma, pedir autorização ao papa para que pudesse atuar na Igreja Católica mesmo sem ser padre, pois pertencia à religião pelo coração. O papa deu a autorização  e nasceu a Ordem dos Irmãos Menores. As notícias sobre a comunidade e suas regras, e sobre o próprio Francisco, corriam o mundo. De toda parte vinham pessoas interessadas em conhece-lo. A cidade de Assis ficou famosa. A cada dia o número de discípulos aumentava sobre o amor, a humildade e o plano maior de Francisco: trazer o Evangelho de Jesus à vivência das criaturas; o desprendimento,; o amor sem apego; o perdão.

Francisco de Assis era, por natureza, um andarilho e percorreu vários lugares, viajou para fora de seu país, conheceu o sentimento das nações e o porquê do sofrimento humano. Sentiu com esplendor a grandeza de Deus. Pai Francisco, como era chamado, pouco descansava e quase não dormia. Começou a apresentar inúmeras doenças. No entanto, as dores não o desanimavam, descarregava sua poderosa mente falando aos peixes, aos pássaros, aos animais. Como amigo da natureza, tratava a todos por “irmão”.

Quando notou que seu estado piorava cada vez mais e que se aproximava a hora de sua despedida da Terra, Francisco retornou para Assis, sua terra natal.

Seu corpo abria-se em chagas, estava cego e tinha enfermidades no fígado e no estômago: seus pés e pernas estavam inchados e a voz começava a sumir.

O calendário marcava 23 de outubro de 1226. Nessa tarde Francisco de Assis se despediu da Terra.

 

( Trecho de texto originalmente publicado em “O Trampolim”nº 1,
boletim informativo da Fraternidade de Estudos Espíritas Francisco de Assis)

 Jornal O Trevo – setembro/1999