Aos Pais De Família

Espírito Yvone A. Pereira

 “Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprires. Os vossos e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?” (“O Evangelho segundo o Espiritismo” - - Cap. XVI – Comunicação de Santo Agostinho.)

Pediram-me que patrocinasse uma exposição da moral evangélica-espírita para uso dos pais de família nos primeiros passos da educação religiosa e filosófica dos filhos.

Impossível seria furtar-me a esse convite tão sugestivo no momento difícil que a humanidade atravessa, quando a fé e a moral, a solidez dos costumes, o cumprimento do dever e a responsabilidade de cada um se diriam em colapso, desorientando a muitos, vencendo outros tantos, desanimando ou enrijecendo o coração de quase todos para lançar o caos na sociedade humana, assinalando as últimas etapas do fim de uma civilização. Aquiesci, portanto, visto que ao servo zeloso cumpre agenciar com os talentos confiados à sua guarda, a fim de renderem o máximo, para gáudio do Senhor, que deseja ver a sua vinha habilmente cultivada, oferecendo frutos excelentes de amor e justiça, para felicidade das gerações vindouras.

O lar é a grande escola da família, em cujo seio o indivíduo se habilita para a realização dos próprios compromissos perante as leis de Deus e para consigo mesmo, na caminhada para o progresso. É aí de preferência a qualquer outra parte, que a criança, o cidadão futuro, o futuro governante, o futuro elemento da sociedade, se deverá educar, adquirindo aquela sólida formação moral-religiosa que resistirá, vitoriosamente, aos embates das lutas cotidianas, das provações e mil complexos próprios de um planeta ainda inferior. Nem o mestre, nem o adepto de uma crença qualquer, nem o amigo, por maior que lhes seja o desejo de servir, conseguirá cultivar no coração da infância os valores da moral evangélica se os pais, por sua vez, não edificarem no próprio lar o templo feliz do ensinamento que tenderá a florescer e frutecer para a eternidade. Daí a urgente necessidade de os pais espíritas se habilitarem para dar aos filhos pequeninas aulas de moral, aulas de Evangelho, aulas de legítimo Espiritismo e mesmo aulas de boa educação social e doméstica, pois o espírita, antes de mais nada, necessita manter a boa educação doméstica e social, sem a qual não será cristão. Outrossim, será necessário que, de uma vez para sempre, os pais de família observem a prática do amor recíproco, que assumiram ao se tornarem cônjuges, qual a conquista do progresso através da paternidade; que zelem pela harmonia e a serenidade doméstica de cada dia, jamais se permitindo displicências de quais quer natureza, discussões, hostilidades, pois será necessário que respeitem os filhos, lembrando-se de que das suas atitudes surgirão exemplos para a prole e que esses exemplos deverão ser os melhores, para que não enfraqueçam a própria autoridade e o respeito para dirigir a família. Se tais atitudes não forem observadas, dificilmente poderão cumprir o próprio dever de orientadores da família, e a grandes responsabilidades serão chamados na realidade do mundo espiritual.

Não obstante, será bom que a criança e o adolescente assistam a aulas educativas de moral religiosa na sua agremiação espírita. Deverão mesmo fazê-lo, pois será também necessário cultivar a convivência com os futuros companheiros de ideal, ampliar relações fraternas, desenvolver traquejo para futuros certames de cunho espírita, e em razão de que o Centro Espírita deve ser prolongamento do lar. O que, porém, é necessário e indispensável, o que é extremamente urgente e que os pais não releguem a outrem o dever de encaminhar os filhos para Deus, dever com o qual se comprometeram perante as Leis ao reencarnar, perante as exigências sociais do matrimônio e perante as disposições morais da paternidade.

A criança é grande enamorada dos próprios pais. Segue-os de olhos fixos. Uma lição, uma advertência carinhosa dos pais, se prudente e sabiamente aplicadas, serão facilmente assimiladas pelo filho, ainda frágil e simples. Se se descurou, porém, a educação na primeira infância, a puberdade e a adolescência tornar-se-ão fases de orientação mais difícil. Mesmo em se tratando de criança de índole rebelde, grandes benefícios advirão, se tal dever, o de educar, for fielmente observado pelos pais. Jamais estes deverão alimentar a pretensão de que seu filho seja modelo de boas qualidades, enquanto o filho do próximo é atestado de qualidades inferiores, visto que tal ilusão entravará desastrosamente as providências educativas a favor do próprio filho. Que os pais rejeitem, sem vacilações, a notícia mediunicamente revelada, de que “grandes missionários” são seus filhos reencarnados. Semelhantes informações serão quase sempre fruto de mistificação, de preferência veiculadas por obsessores e não por amigos espirituais, porquanto estes seriam prudentes em não se permitirem tais indiscrições, mais prejudiciais que úteis ao próprio futuro da criança. Entretanto, à mãe compete ainda maior dose de responsabilidade no certame. O fato de ser mãe não será apenas acontecimento biológico, mas posto de trabalho árduo, testemunho de paciência, digno atestado de vigilância, de coragem, de amor, concordância com a renúncia e o sacrifício. Não terá bem cumprido a própria tarefa a mulher que deixar de observar tal lema. Um grande filósofo, adepto do Espiritismo, acentuou, numa das suas obras de educação e instrução, a seguinte reflexão:

“...tal seja a mulher tal é o filho, tal será o homem. É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações. É ela que faz os heróis, os poetas, os artista, cujos feitos e obras fulguram através dos séculos.”

“...para desempenhar, porém, tão sagrada missão educativa (na antigüidade grega), era necessário a iniciação no grande mistério da vida e do destino, o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações, porque só essa lei dá à vida do ser, que vai desabrochar sob a égide materna, sua significação tão bela e tão comovedora.”(*)

Patrocinando, pois, um ensaio literário-espírita para auxílio das mães e dos pais de família, durante as noites de serão no lar, onde o Evangelho do Senhor e seus conseqüentes benefícios no indivíduo e na sociedade serão ministrados e examinados, eu o faço no cumprimento dos próprios deveres para com o Consolador, enviado pelo Céu à Terra como orientador da renovação moral de cada um, para efetivação dos desígnios de Deus em relação à Humanidade.

Que tão belos serões renovadores do lar e dos corações obtenham êxitos na boa educação da infância e o meu desejo.

Comunicação obtida pela médium, na noite de 11 de agosto de 1966, Rio de Janeiro – RJ, transcrita de Obreiros do Bem, de dezembro de 1976. Gotas De Luz – Abril/Maio/Junho/2001