RUMO À ANGELITUDE

 Irmão Saulo

 Nos termos da Doutrina Espírita, do demônio nasce o homem e do homem nasce o anjo.

 Estamos todos no rumo da angelitude.

 Nossa humanidade (nossa natureza humana) caracteriza-se pela imperfeição, pelo predomínio dos instintos, pelos resíduos da animalidade ainda atuantes em nossa constituição psicossomática.

 Mas esses resíduos vão sendo eliminados na lapidação das vidas sucessivas.

 E como somos conscientes do processo de lapidação a que estamos sujeitos, podemos e devemos ajudar esse processo.

 

Basta um olhar atento ao nosso redor para verificarmos a realidade dessa concepção.

 As criaturas humanas estão dispostas numa escala progressiva que vai do bandido ao santo.

 O malfeitor de hoje será o cidadão honesto do futuro.

 E este, por sua vez, será o santo de amanhã, dependendo esse amanhã, em grande parte, do esforço evolutivo do interessado.

 Porque o ser consciente apressa ou retarda a sua própria evolução.

 

O chamado para o serviço do bem é a oportunidade que Deus oferece à criatura imperfeita para acelerar a sua caminhada rumo à perfeição.

 Quem não aproveita a oportunidade divina, apegando-se por comodismo ou displicência aos seus defeitos, desculpando-se com as imperfeições naturais que ainda carrega, furta-se ao cumprimento do dever espiritual.

 Mas as leis da evolução não o deixarão parado por muito tempo.

 Por isso ensinou Jesus: "Quem se apegar à sua vida perdê-la-á, mas quem a perder por amor a mim salvá-la-á".

 

O comodista será sacudido e alijado do seu comodismo, mais hoje, mais amanhã, pela vergasta da dor.

 O sofrimento é tão grande na Terra porque maior é o comodismo dos homens.

 A seara continua imensa e os trabalhadores ainda são tão poucos! Não somos anjos para ser perfeitos e puros, mas trazemos em nós as potencialidades da angelitude.

 Se não acelerarmos a nossa lapidação pelo serviço, o lapidário oculto - e que está oculto em nós mesmos - agirá como convém para completar a sua obra.

 

Irmão Saulo

(De "Na era do Espírito", de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires - Espíritos diversos