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Cegueira
Epiphânio
Leite
(Versos
à soberana feudal que conheci há seis séculos, em pleno fastígio
do poder humano mal aplicado, e que reencontrei agora, na provação da
cegueira física, procurando nos estudos reencarnacionistas a chave de solução
aos problemas que lhe afligem a redentora existência).
Reconheço-te,
irmã... Retornas de outras eras...
Soberana feudal, o busto nobre empinas...
A teu mando cruel, as hordas assassinas
Espalham fogo e lama... E, sorridente, esperas.
Guardas
em pranto e sombra o povo que dominas...
Encantas e destróis... Amas e vituperas...
Um dia, a morte chega e, erguendo as mãos austeras,
Deita-te
o corpo inerte ao pé das casuarinas...
Depois
de tanto tempo, achei-te reencarnada,
Es hoje triste cega aos arrancos na estrada,
Somando as provações, no intuito de entendê-las...
Mas
louva, nobre dama, a treva que te espia,
Pela dor da cegueira, alcançarás, um dia,
O teu reino de amor, resplendendo de estrelas.
(Soneto
recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier,
em reunião pública da Comunhão Espírita
Cristã,
na noite de 19-12-70, em Uberaba, Minas).
Reformador
– Junho de 1971
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