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Caridade
José Horta
Filhos,
em verdade, outra virtude não existe mais bela.
Todos os dons da vida,
emoldurando, empalidecem como os lumes terrenos quando o sol aparece vitorioso.
Desde
a Antigüidade, a ciência e a filosofia erigem à própria exaltação gloriosos
monumentos que se transformam em cinza, a fim de que elas mesmas se
renovem.
Em
todos os tempos, a autoridade e o poder fazem guerras que esbarram
no sepulcro, entre sombra e lamentação.
Só a Caridade, filha do Amor Celeste, é invariável.
Com
ela, desceu Nosso Senhor Jesus Cristo à treva humana e, abraçando os fracos e enfermos, os vencidos e desprezados, levantou os alicerces do Reino de Deus que as Forças do Bem na Terra ainda estão
construindo.
Vinde,
pois, à Seara do Evangelho, trazendo no coração a piedade fraternal
que tudo compreende e tudo perdoa!...
Acendamos a flama da caridade quando orarmos!
Em
nossas casas de socorro espiritual, achamo-nos cercados por todos os
tipos de sofrimento, enquanto nos devotamos à prece.... que decorrem de tristes almas desencarnadas a carregarem consigo as escuras raízes de ilusão e delinqüência, com que se prendem à retaguarda.
São as filas atormentadas daqueles que traficaram com o altar, que venderam a consciência nos tribunais da justiça, que mercadejaram com os títulos respeitáveis, que menosprezaram a benção do lar, que tripudiaram sobre o amor puro, que fizeram do corpo físico uma porta à viciação,que se renderam às sugestões das trevas
alimentando-se de vingança, que fizeram da violência cartilha habitual de conduta, que acreditaram na força sobre o direito, que se desmandaram, no crime, que sepultaram a mente em pântanos de usura e que se abandonaram, inermes, à ociosidade, à perturbação, à perversidade e à morte
moral...
Para
todos esses corações encarcerados na sombra expiatória, é indispensável
saibamos trazer, em nome do Cristo, a chama do sacrossanto amor que
ilumina e salva, esclarece e aprimora.
Inegavelmente,
enquanto na carne, não conseguis analisar a extensão das consciências em desequilíbrio que se nos abeiram das preces, como sedentos em torno à fonte.
Viveis,
provisoriamente, a condição do manancial incapaz de saber quão longo é o caminho da própria corrente tia regeneração
do deserto.
Cabemos,
assim, o mais amplo esforço para que a caridade persista em nossos pensamentos, palavras e ações, porquanto é imprescindível
aviva-la também quando agimos.
No
círculo doméstico e na vida pública, tanto quanto em todos os domínios de vossa atuação nas lides terrestres, sois igualmente defrontados pelos companheiros em desajuste que, como nos acontece a todos, anseiam por
reerguimento e restauração.
Guardemos
caridade para com todos aqueles que nos rodeiam Para com os felizes
que não sabem medir a própria ventura e para com os
infortunados que não podem ainda compreender o valor da provação que os vergasta, para com jovens e velhos, crianças e doentes, amigos e adversários!...
Cultivemo-la em toda parte.... Caridade que saiba renunciar a favor de outrem,
que se cale ajudando em silêncio, e que se humilhe, sobretudo, a fim de que o desespero não domine os corações
que pretendemos amar...
Todos na Terra suspiram pelo melhor.
A mulher que vedes, excessivamente adornada, muita vez traz o coração chagado de angústia.
O homem que surge, assinalado pela riqueza terrestre, quase sempre é portador de um vulcão no crânio
entontecido.
A
juventude espera orientação, a velhice pede amparo.
Onde
estiverdes, não condeneis!
O
lodo da miséria nasce no charco da ignorância em cujos laços viscosos
a leviandade ainda se enleia.
Nós, porém, que já conhecemos a lição do Senhor,
aquinhoados que fomos por sua benção, podemos abreviar o caminho para a grande libertação,
desde que a caridade brilhe conosco, dissipando a sombra e lenindo o sofrimento.
É assim que vos concitamos à mais intensa procura do Cristo para que o Cristo esteja em nós, de vez que somente no Espírito Divino de Jesus é que conseguiremos vencer a dominação das trevas, estendendo no mundo o império silencioso da caridade, por vitoriosa luz do Céu.
Livro Instruções Psicofónicas, edição FEB, psicografia de Francisco Cândido
Xavier
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