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Os
Pais do Obsessor
Leonardo Vianna
Permita-me tratá-los assim : Amados e queridos irmãos!
Hoje, nos encontramos livres dos corpos físicos e aproveitamos a
oportunidade de relatar-lhes os nossos sofrimentos, pela ousadia que praticamos de desreispeitar a vida em formação.
Iniciou-se desde os primeiros meses de casados. Como éramos jovens,
almejávamos progredir materialmente e aproveitarmos a vida, divertindo-nos. Combinamos juntos - era a nossa maior preocupação - em
não termos filhos e tudo fazermos para evitá-los. Passaram-se dias, semanas, anos, vivendo uma vida prazerosa e de
aquisição de bens materiais (terrenos).
Certo dia, porém, para nossa surpresa, a gravidez se fez presente em
nossa vida livre. Considerávamos intrometido aquele ser em formação e como queríamos viver em liberdade para as diversões, achamos por bem
expulsar o feto, pela prática do aborto.
Procuramos uma parteira curiosa, e, no dia e hora marcados,
executamos o pequenino ser, o que nos aliviou daquela presença.
Julgávamos livres do mesmo, mas qual! Alimentamos uma ilusão, pois,
com o decorrer dos dias, terrível perturbação tomou conta do nosso lar.
Já não dava mais para continuar a nossa vida conjugal e estava tudo para
se romper entre nós. Qual seria o motivo de tanta discussão e brigas, por coisinhas à toa? Se nos amávamos tanto, por que não nos
compreendíamos mais?
Não bastando os desentendimentos constantes, surgiu a
enfermidade e o desemprego. Era a ruína total. Um verdadeiro inferno de perturbações e
dor nos acompanhando dias, semanas, meses.
Quando já nos encontrávamos deprimidos, pensando em recorrer à
separação, um vizinho que, há pouco tempo, viera morar próximo da nossa
casa, ficando a par de nossa situação, aconselhou-nos a procurar um Centro Espírita que, provavelmente, solucionaria os problemas.
Antes, já havíamos procurado os lugares religiosos e nada melhorou e,
agora, quem sabe o Espiritismo não resolveria a situação...
No Centro Espírita, ficamos surpresos, porque um Espírito que se
revelava sofrendo muito, apontávanos acusando, a nós, os causadores de sua situação, por tê-lo abortado e sido expulso impiedosamente. Por
isso, nos perseguia até nos levar à ruína total por vingança.
O dirigente dos trabalhos Espíritas procurou acalmá-lo com orientação
branda e prece espiritual e, logo após, esclareceu-nos com ensinamentos evangélicos e nos recomendou a leitura do Evangelho Segundo o
Espiritismo.
Tudo indicava que daria certo, porque, depois de ouvir o doutrinador,
aquele Espírito pôs-se a chorar, dizendo estar arrependido e que não ia
mais atormentar-nos. Realmente, começamos a sentir a nossa vida mudar. A paz voltou a
reinar no lar.
Algum tempo depois, novamente a gravidez surgiu. Entretanto, agora,
éramos espíritas, freqüentando e estudando a Doutrina Codificada por
Allan Kardec, e jamais pensaríamos em abortar novamente. Às vésperas de recebermos o bebê, no Centro Espírita que
freqüentávamos o Mentor Espiritual informou-nos que aquela criança que iria reencarnar era a mesma, cujo Espírito havíamos expulsado e que, por
vingança, nos perseguira obsediando-nos.
Mais do que nunca era uma oportunidade muito valiosa para lhe
oferecer amor, carinho e dar-lhes boas vindas em nosso lar. E aquele bebezinho nasceu. Procuramos educá-lo e foi criado com amor, até que o
desencarne nos separou.
Hoje, ele é um homem formado, beneficiado com boa profissão. Contraiu
núpcias com uma moça prendada, e para nossa alegria iremos reencarnar como filhos gêmeos desse casal. Iremos receber toda a educação e amor
que lhes devotamos no passado, porque o amor cobriu o nosso erro quando o recebemos como filho.
Sendo assim, aquele que foi o obsessor, aceitamos como filho, e,
hoje, o teremos como pai.
O nome do livro é "NÓS ABORTAMOS...", por Espíritos diversos
e psicografia de Nércio Antônio Alves
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