Coisa de Kardecista

Ânima Oratore

Gertrudes Belvedere dizia-se espírita de carteirinha e médium de mesa branca; havia convivido ombro a ombro com grandes médiuns do passado...

Fora vizinha de porta do valoroso Peixotinho e trocou fraldas de Araci, quando esta ainda era um bebezinho.

Esquecera quantas vezes fora a Uberaba e em lá chegando ouvia o Chico dizer:

Gertrudes, minha irmã, entre e venha tomar um matezinho!!

Eram assim os dias da  médium.  Mas quando alguém falava em estudar mediunidade, ela logo dizia:

"Isso é coisa de Kardecista..."

Quase ninguém conseguia entender essa explicação e nossa Gertrudes, para dificultar, acrescentava mais ainda:

Sou Espírita de corpo e alma, leio todos os livros de Ramatís, Os Orixás e Nossas Lendas, sei de cor a vida de Patrícia e não deixo de rezar missas em dia das almas...  e digo mais:  Nosso Lar  "do Chico" é meu livro de cabeceira...

E lá seguia ela, com seu "espiritismo de improviso"...  era uma revelação aqui, uma formulazinha acolá e não raro uns retratinhos de Bezerra, Chico, etc., com umas simpatiazinhas...

Incontestável a boa vontade de nossa Gertrudes Belvedere, porém, recordemos o capítulo XIII de O Livro  dos Espíritos, que nos alerta que o Espiritismo é coisa séria:

"... o estudo do Espiritismo é imenso, toca todas as questões da metafísica e de ordem social, é todo um mundo que se abre diante de nós..."

 Dezembro de 1986.