AS SOCIEDADES ESPÍRITAS

“Já é sabido que os centros espíritas funcionam como um pronto-socorro da Espiritualidade na Terra. Digo-vos, porém, mais. os núcleos onde se semeia a Mensagem Divina à luz do pensamento espírita, são verdadeiras escolas da alma, um local onde o Espírito de Verdade pode se manifestar livremente, tal qual o fazia nas reuniões do Cristianismo primitivo.

Os grupos que pretendam desempenhar essa tarefa deverão, porém, observar alguns preceitos. O maior deles é a necessidade de compreensão da mensagem de Jesus em sua mais lídima expressão, sem as fantasias de que freqüentemente é envolvida e sem o misticismo que lhe é dado pelos mais imaturos.

Uma instituição espírita é uma célula de grande importância dentro de vossa sociedade atual. Deverá ser o local onde os sedentos de conhecimento buscarão para saciar sua sede com a água da Vida.  Não pode ser vista apenas como ambiente aonde se pratica a caridade, dentro da compreensão que vós tendes desta sublime virtude. Não é um local aonde se exercita tão somente a mediunidade, visto que a prática em si pode ser feita em outros lugares e por qualquer pessoa. Não é um lugar em que só se ministra a fluidoterapia, pois os fluidos poderão ser adquiridos em outras crenças e de outras formas.

A principal tarefa da casa espírita não é dar sopa, agasalhos, cestas de alimentos, remédios ou quaisquer outro amparo de ordem material para os mais necessitados. Não. As sociedades espíritas são núcleos aonde se consegue a maior de todas as conquistas: o conhecimento. Mas não o conhecimento superficial trazido pelas obras apócrifas que pululam em vosso meio, mas a profundidade do ensino adquirido com o esforço sincero e verdadeiro em querer instruir-se, examinando com humildade os escritos dos mestres. As sociedades espíritas deverão estar preparadas moral e intelectualmente para desenvolver seu trabalho maior de instrução do Espírito, preparando-o para compreender que a fé sem obras é morta, mas também que não são as obras que fazem o homem adquirir salvação para sua alma. Deverá ensinar ao homem o verdadeiro objetivo da vida e faze-lo ver através da racionalidade dos ensinos a razão de seus problemas e a partir dessa consciência trabalhar incessantemente para minimizá-los ou eliminá-los. Nesse esforço de melhorias, compreenderá a necessidade de doar-se, quer seja desenvolvendo seus dons espirituais, quer seja na lida com os mais necessitados.

A sociedade espírita deve nascer organizada para não morrer mais tarde por falta de estrutura material que a viabilize. Deve desenvolver-se dentro dos princípios da moral de Jesus e da racionalidade dos ensinos dos Espíritos superiores, trazidos ao mundo por Allan Kardec. A Terceira Revelação não veio ao mundo para permanecer envolta nas sombras do orgulho e vaidade dos falsos-profetas, mas para florescer entre os simples de coração, entre os pequeninos, os perdidos do mundo e todos os que se dispuserem a enfrentar a si mesmo, destruindo o homem velho com suas mazelas e fazendo renascer o novo homem dos escombros da imperfeição.

Muitos conceitos e doutrinas falsas estão entre vós, espíritas, permeando as ações em vossos núcleos, contaminando vossas mentes. Doutrinas que servem para escravizá-los na ilusão de que valeis mais do que realmente já adquiristes como patrimônio. Mas Deus conhece seus filhos e nada ficará encoberto que não haja de ser descoberto. Todos os falsos ensinos serão destruídos um dia, por sua própria improdutividade, pela falta de consistência e de ação moralizadora no coração dos homens. Nenhuma doutrina que estimule o homem a permanecer como está provém da verdade.

A sociedade espírita não será nem pronto socorro da Espiritualidade, nem escola para ao Espírito, nem tampouco servirá para a manifestação da Verdade se não se sustentar na solidez da mensagem de Jesus, na seriedade, na disciplina e acima de tudo no sincero exercício de amor ao próximo. E este último só se dará com uma compreensão mais plena, abrangente da doutrina cristã e seu papel na construção de um novo homem.

Sustentai, pois, vossas tarefas na auto-educação, utilizando os escritos dos antigos mestres, os tradutores do pensamento divino, incluindo, evidentemente a Doutrina Espírita. Observai vossos núcleos, avaliai vossas práticas e vede se os resultados têm produzido homens melhores ou se permanecem mergulhados em suas vidas de egoísmo e iniquidades. Só a compreensão do Bem, em espírito e verdade, pode retirá-los da ignorância e integrá-los em um mundo de luz que nada mais é que Conhecimento e Sabedoria.

Que o Pai Celeste possa alimentar vossas disposições na construção de núcleos adequados ao crescimento, no qual o Espírito de Verdade possa realizar as boas obras, através de servos fiéis que lutam para crescer em moralidade. Creiais, Deus necessita de homens de bem para desenvolver o trabalho de reorganização do planeta. Quem tiver olhos de ver, verá”. – João de Arimatéia.

 

Espírito: João de Arimatéia

Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec São Luís – MA

Data: