DOENÇA E TERAPÊUTICA

          Como decorrência da correria desenfreada destes dias de agitação, mergulha o homem na usança exagerada de sedativos e calmantes ou, quando desejoso de viajar nos reios enganosos da fantasia, encharca-se nos barbitúricos e alucinógenos, retornando à pauta das realidades objetivas mais estressado, na primeira hipótese, mais deprimido e exausto na segunda.

          O corpo, as sensações constituem-lhe meio e meta, motivo e razão das torvas ambições, das mesquinhas aspirações.

          Vinculado a ferrenho materialismo, embora alguns se liguem às excentricidades religiosas que dizem desposar, preserva a conduta doentia, sem se permitir as emoções superiores, asfixiado nas vibrações perniciosas em que se compraz, sem ascender às cumeadas da paz ou à assimilação de atmosfera mais pura...

          Mesmo quando convidado a uma mudança de atitude, rebela-se, exigindo resultados imediatos, sem que se faculte recursos de renovação, negando-se peremptoriamente, consciente ou não, a fruir os resultados auspiciosos de que resultaria um veemente desejo de conseguir manter esse ignoto clima de harmonia.

          Quando se lhe falam do recurso da oração     anestésico sublime para a dor  —,  porque lhe desconhece a fórmula salutar, reage; e quando convidado à meditação    estimulante de efeito enérgico e relevante    porque se aclimatou à ociosidade mental em termos de reflexão e disciplina, desconsidera-lhe o conteúdo...

          Ao se lhe apresentarem uma leitura substanciosa    verdadeira psicoterapia otimista —  reivindica as páginas chocantes da licenciosidade, por achar ingênuas aqueloutras, de significação ultrapassada. Se chamado à beneficência mediante a ação pessoal    praxiterapia liberativa    apresenta escusa, por se acreditar sem condições. Convidado ao exercício da caridade fraternal em morros e favelas, palafitas e alagados    ginástica e ioga para o corpo, mente e espírito    prefere as fugas espetaculares através do desculpismo insensato, taxando de pieguistas essas realizações e atirando a responsabilidade desse mister a governos e organizações de Serviço Social...

          No entanto, o amor é melhor para quem ama e ação dignificante eleva e pacifica aquele que a executa.

          Sem dúvida, a quimioterapia, a farmacopéia em geral dispõem de elevados contributos para o homem, minimizando-lhe enfermidades, erradicando velhas e calamitosas epidemias, ampliando as possibilidades da vida na Terra. Sem embargo, a terapia espiritual vasada no Espiritismo é o maior antídoto ao desgaste, à excitação, ao cansaço, à violência, à criminosidade e à miséria social dos momentos cruciais que estrugem na Terra...

          Penetrando nos fatores causais    o Espírito, seu pretérito, seu futuro    a fluidoterapia  e o esclarecimento espírita conscientizam, elucidam, emulam e seguram o homem da queda abissal nos charcos da sensação abastardante e tóxica donde somente a penates de dor poderá, mais tarde, emergir... E o contributo para a ascensão é sempre agravado pela aflição, mediante a carga das conseqüências que se adicionam à própria queda.

          Face a isso, mais do que nunca o homem moderno necessita de Jesus-Cristo e Jesus-Cristo necessita do homem valoroso para a tarefa de auxiliar, amparar e erguer o mundo novo de amanhã.

Carneiro de Campos

(De “Sementes de Vida Eterna”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)