Em
toda criatura permanece um mundo, santo e ignorado, nunca dantes penetrado,
aguardando, enriquecido de ternura...
Há no abismo de toda alma, um rochedo, um lugar, uma ilha, um paraíso, recanto de maravilha a ser descoberto...
Em
todo coração se demora um espaço aberto para a aurora, um campo imenso
a ser trabalhado, terra de Deus, lugar de sonho, reduto para o futuro...
Em
toda vida há lugar para vidas, como em toda alegria paira uma suave melancolia
prenunciadora de aflição.
Há,
porém, um lugar em mim, na ilha dos meus sentimentos não desvelados,
um abismo de espera, um oceano de alegria, um cosmo de fantasia, para
brindar-Te, meu Senhor!
Vem,
meu amado Rei e Senhor, dominar a minha ansiedade, conduzir-me pela
estrada da redenção.
E
toma desse estranho e solitário país, reinando nele e o iluminando com
as Tuas claridades celestes, para que, feliz, eu avance, até o desfalecer
das forças, no Teu serviço libertador.
Vem,
meu Rei, ao meu recanto e faze de minha vida um hino de serviço. E por
Ti uma perene canção de amor.
Rabindranath
Tagore
(Fonte: “Pássaros Livres”, Rabindranath Tagore – “A Prece segundo os Espíritos”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)