DIANTE DE OUTRAS
NAÇÕES
Conservarás a dignidade do lar e honrarás,
amando infatigavelmente, os pais que te proporcionaram berço e
vida.
Nunca sonegarás teu auxílio aos que te peçam amparo e compreensão
no aconchego doméstico.
Exaltarás, servindo, a terra que te acolhe por mãe generosa,
retribuindo, em cuidado e respeito, o pão que ela te
dá.
Saberás agradecer o espaço em que movimentas, assegurando-lhe,
sempre que possível, o perfume de alguma flor que dependa de teu
carinho.
Situarás, enfim, o coração na pátria que te reúne aos irmãos do
mesmo ideal e da mesma língua, mas não olvidarás que o mesmo céu
estrelado, de vigia sobre as nossas aspirações, agasalha as esperanças de
outros povos que recebem como nós a Bênção de
Deus.
Quando procures o trabalho, cada manhã, recorda que outros homens
fazem o mesmo, quando o Sol lhes anuncia um dia novo, e, quando envolvas
teus filhos nas preces da noite, pensa nas mães que, em paises distantes,
velam igualmente, suplicando ao Todo Misericordioso lhes proteja e conduza
os entes queridos.
Não julgues que a riqueza amoedada de alguns e a carência econômica
de outros sejam motivo a diferenças. As dores que nos aprimoram a alma e
as alegrias que nos impulsionam para a frente vibram em milhares e
milhares de corações no outro hemisfério.
Quando algo ouças, em torno de grupos dessa ou daquela nação que
estejam empreendendo a guerra de conquista, ora por eles; são irmãos que
desconhecem as reações dolorosas que lhes reajustarão o espírito mais
tarde. E quando escutes algum noticiário, acerca de grupos outros que
estejam em provação, ora igualmente por eles, para que não lhes escasseiem
o dom do trabalho e a força da paciência. A todos considera como sendo
nossos companheiros, criaturas do mesmo Criador e filhos do mesmo Pai. De
futuro, nos reinos do espírito, vê-los-ás na condição da Humanidade —
nossa verdadeira família.
Aprende, pois, desde hoje, a banir do teu dicionário a palavra
“estrangeiro” e, em se referindo a alguém que haja nascido em clima
diverso, deixa que a fraternidade te suba da alma aos lábios e dize
sinceramente “nosso irmão”.
(Paris,
França, 21, Agosto, 1965)
Emmanuel
(Psicografia
de Chico Xavier)
(De “Entre
irmãos de outras terras”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo
Vieira)