DE
QUEM É A CULPA?
Numa
dessas caçadas imprevistas,
A
polícia prendeu o criminoso.
Roga o povo
na fala dos cronistas
Um
linchamento para gáudio e gozo.
E
penálogos, médicos, juristas,
Pedem,
usando verbo primoroso,
Nos
rádios, nas tevês e nas revistas:
—
Venha a pena de morte ao réu odioso!
Afinal,
por imensa caridade,
Esse
algoz da piedosa sociedade
Que
na prisão perpétua se consome,
Só
não foi acusado de burrice,
Embora
órfão desde a meninice,
Não
sabendo assinar o próprio nome...