DE QUEM É A CULPA?

Numa dessas caçadas imprevistas,

A polícia prendeu o criminoso.

       Roga o povo na fala dos cronistas

       Um linchamento para gáudio e gozo.

 

E penálogos, médicos, juristas,

Pedem, usando verbo primoroso,

Nos rádios, nas tevês e nas revistas:

— Venha a pena de morte ao réu odioso!

 

Afinal, por imensa caridade,

Esse algoz da piedosa sociedade

Que na prisão perpétua se consome,

 

Só não foi acusado de burrice,

Embora órfão desde a meninice,

Não sabendo assinar o próprio nome...

Artur Azevedo