Filigranas de Luz
Enchi minha alma de ansiedade, e sem receio parti ä Tua procura.
Era manhã.
Abelhas ébrias do perfume da aurora fabricavam mel no meu bornal, para a caminhada longa, e delicadas açucenas estonteantes de vida deitaram-se no chão para eu passar.
De um cipreste novo fiz arrimo, e com peles de um leão forrei os pés. Da cana do bambu delicado retirei água, e do bosque frondoso recolhi frutos.
Fiz da confiança um marco, e nas cordas do coração arranquei uma melodia de exaltação a Ti.
Tudo era tão belo!
Parti.
De alegres aldeias a verdes campos, de pomares luxuriantes a montes escassos, caminhei...
Ao meio dia, sentei-me cansado.
O peso do corpo, as feridas que surgiram no caminho, as ansiedades que me cruciaram na manha, todos estouraram em mim.
Sofri dores do parto sem maternidade e verti lágrimas amargas sem umidade nos olhos... mas prossegui.
A noite surpreendeu-me caído, sem estar vencido, amargurado sem desespero, no caminho.
Surgiste, enfim, como se fossem FILIGRANAS DE LUZ, num Grande Rumo, que estou a seguir...
Rabindranath Tagore
Texto extraído do livro Filigranas de Luz
Psicografia de Divaldo P. Franco
Pelo Espírito de R. Tagore