EXAME

“Não basta crer; é preciso, sobretudo, dar exemplos de bondade, de tolerância e de desinteresse, sem o que estéril será a vossa fé”.

L.M. 2ª parte, Cap. XXXI – Item 1 – (Santo Agostinho)

          Aprofundar a mente na investigação minuciosa das deficiências alheias, mesmo com o propósito aparente de ajudar, seria como derramar precioso bálsamo sobre pântano infeliz com a intenção de saneá-lo ou jogar ácido cruel sobre feridas que demoram a cicatrizar com o pretexto de eliminar o foco infeccioso...

          Não convertas a tua caridade mental em sombras densas para que não tropeces em escolhos.

          Podes movimentar o tesouro psíquico para reorganizar o equilíbrio sem o impositivo de ampliar a infelicidade, tornando-a conhecida.

          Não transformes a visão em instrumento de observação impiedosa. Nem movimentes o verbo como quem aciona o látego cortante, desencadeando sofrimento.

         Exalta a oportunidade de cultivar a esperança.

          Difunde a excelência do otimismo.

          Distende a alegria junto àqueles que a tristeza venceu.

          Louva as mensagens da fé operante ao lado do amigo que caiu fragorosamente.

          Acena a todos com novas possibilidades de refazimento no bem, demonstrando ânimo sereno e robusto.

          Supera a tentação de inquirir muito para compreender, desdobrando o trabalho que renova e restaura.

          Descobre o lado melhor do infeliz e faze o melhor.

          E se notares que tudo indica insucesso do seu empreendimento, agigantando-se o mal, apela para a Espiritualidade Superior e transforma-te em viva mensagem de amor, desdobrando a bondade de Jesus Cristo, sem aguardares de imediato o êxito que te não pertence.

          Quando não puderes fazer o bem pensa nele.

          A noite para não ser triste veste-se de estrelas.

          O espinheiro atormentado, em silêncio, adorna-se de flores.

          E com o que tiveres exalta a alegria, embelezando a vida.

          Nunca reclames ante a fraqueza dos outros nem examines o erro do próximo com azedume, mesmo porque, em te voltando contra eles é necessário examinar, no recesso íntimo, quanto tens sido mal sucedido e, se em lugar desses companheiros não estarias complicando a própria aflição, fazendo o que eles realizam com dificuldade, de maneira pior e mais infeliz.

(De “Espírito e Vida”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis).