A INCURSÃO

          O discípulo acercou-se do Mestre, deslumbrado com a perspectiva do Reino.

          Imaturo e curioso, imaginava-se, de imediato, atingir a plenitude do gozo espiritual.

          Dizia detestar o mundo, porque se frustrara no jogo dos interesses comezinhos e das paixões extenuantes.

          Como não podia pensar nos bens do espírito sem as conexões apressadas da vida material, buscou o Senhor e indagou-Lhe a respeito do lugar em que se encontrava o grande tesouro e onde começavam as fronteiras do soberano país de lá...

          — O meu reino — respondeu o Rabi — está dentro de cada um que o queira, sem qualquer aparência exterior, despido de atavios e artifícios. Tem a infinita dimensão do espírito. Quem se conquista, alcança-o.

          “Sua bússola aponta o amor, que é o norte magnético da vida; e os demais pontos cardeais são a superação de ti mesmo, a caridade e a perseverança no tentame sublime.”

          “No mundo, toda viagem é excursão; para o meu reino, a busca faz-se por intermédio de uma incursão profunda.”

          “A âncora de segurança deste veleiro que imerge no mar das aspirações é a consciência tranqüila, e o barco de condução é a fé.”

          “Quem desejar, portanto, alcançar o meu país, o reino dos céus, tome a sua cruz, renuncie-se a si mesmo, venha após mim e siga-me.”

          O discípulo ouviu, entristeceu-se e ficou a pensar, sem coragem de incursionar.

 

(De "No longe do Jardim", de Divaldo P. Franco, pelo Esdpírito Eros)