DOMICÍLIOS ESPIRITUAIS

 

          Há muitas moradas na casa de Nosso Pai — assevera-nos o Senhor nas bênçãos da Boa Nova.

          Entretanto, viverás naquela que houveres erguido em ti mesmo, segundo o ensinamento do próprio Mestre que manda conferir a cada um, de acordo com as próprias obras.

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          Observa como te situas no campo do mundo, compreendendo que o sentimento é a força a impelir-te para os círculos superiores ou para as esferas inferiores, onde tecerás o próprio ninho.

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          Não te valhas da palavra para menosprezar as tarefas dos irmãos de experiência, nem para reprovar as aflições que vergastam a Terra.

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          Não te aproveites do conhecimento para condenar ou para destruir e nem procures nas mãos do Cristo o martelo com que derribes, desapiedado, os domicílios alheios.

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          Não exibas a virtude, nos gestos exteriores, porque a lâmina da incompreensão pode ferir-te quando suponhas talar as flores de imaginária vitória e nem desejes a frente avançada no trabalho da elevação, com o desprestígio e a derrocada dos outros, porque, é possível o teu apressado recuo para retificar decisões.

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          Lembremo-nos de que não há céu para quem não edificou o paraíso em si próprio e aprendamos, sobretudo, a sentir com o amor a fim de que o amor em nós se faça luz para a extinção das trevas.

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          Aqueles que abusam dos recursos divinos que o Senhor lhes empresta, estagiam nos desvãos do desequilíbrio, detendo-se por fim, nos redutos da enfermidade.

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          Os desertores da luz jazem domiciliados nas sobras e os habitantes das sombras demoram-se em lamentável cegueira de espírito.

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          As almas cristalizadas na crueldade estacionam nas enxovias do orgulho e do egoísmo e os devotos do egoísmo e do orgulho acabam despertando nos espinheirais do desengano.

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          Observa teu campo íntimo e acautela-te, porque, sem dúvida, há inúmeras moradas no Universo Infinito, mas viverás na condição de senhor ou de escravo, no templo do bem ou do cárcere do mal que tiveres escolhido para a própria residência nos caminhos da vida.

(De “Viajor”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)