MINUTOS QUE VALEM POR SÉCULOS

Vive-se às vezes, em minutos, séculos de experiências.

          Em minutos, determinados fatos que se passam conosco nos revelam em que estado nos encontramos na escala espiritual.

          Com o correr do tempo observamos nossas relações diante de certas circunstâncias e constatamos que nos foi possível transmutar as causas do antigo comportamento, sem deixar vestígios da luta titânica que se processou em nosso íntimo. Poderemos então dizer cheios de júbilo, desse júbilo interno que nos alenta: “Eu venci, me vencendo”.

          E, com satisfação, acrescentamos mais uma página ao livro de nossas vidas, página a princípio salpicada de lágrimas de dor, de revolta, de decepção e mágoa. Nas últimas frases, porém, essas lágrima que nos queimavam a alma se refrescam, tornando-se doces e confortadoras. E aqueles primeiros impulsos vão sendo pacientemente advertidos pela compreensão e se transformando em amor e perdão por aqueles que nos feriram.

          Nesses momentos que passaram por nós, sentimos em minutos o resultado de séculos de lutas e experiências, que nos dão a possibilidade da vitória de hoje sobre nós mesmos.

          É nos momentos cruciantes da nossa vida que nos vêm aos lábios palavras poderosas para aniquilar aqueles que se colocam altivamente à nossa frente, tentando obstruir-nos a passagem ou derrubar-nos sem nenhum motivo aparente. No entanto, se estivermos alertas, não permitiremos esse extravasamento e de imediato conseguiremos o equilíbrio interno, deixando, serenamente, sair dos nossos lábios apenas o que seja apropriado, e nunca a resposta vibrante e à altura, no sentido de revide. Não usaremos as mesmas armas com que nos feriram porque adotamos a lei da não-resistência que a tudo resiste, vitoriosamente.

          Passaremos pelos anos sem sentir a vida passar; todavia, em um minuto compreenderemos que não passamos pela vida sem viver, porque o resultado de nosso aproveitamento nós observaremos nas horas de prova.

          São minutos que valem por séculos!

(De “Vem!...”, de Cenyra Pinto)