O
CUMPRIMENTO DAS LEIS
“Não
vim destruir a lei.” Jesus (Mt, 5:17)
Nos tempos atuais do mundo, a cada dia surgem
numerosas leis que
pretendem normatizar as relações sociais dos indivíduos, as relações
empresariais ou as relações internacionais. Outras leis tombam, ao mesmo tempo,
revogadas por não mais atender às necessidades das áreas para as quais foram
criadas.
Leis que foram feitas para manter privilégios de famílias reais ou
imperiais tiveram que tombar perante o insurgimento dos povos, face à
ilegitimidade ou mesmo à imoralidade daqueles
estatutos.
Leis que estabeleciam a cidadania, consignando direitos e deveres de
todos e de cada um foram bem-vindas, dando melhor configuração às relações da
sociedade.
Leis que conferiam poderes discricionários para determinadas categorias
de homens contra outros homens tiveram que cair diante dos movimentos sociais
que, desejosos de eliminar privilégios e abusos oligárquicos ou grupais,
expuseram as próprias vidas em favor de uma vida melhor para o
futuro.
Leis que aboliram sistemas escravistas, alevantando a pessoa para os
degraus da dignificação onde devia estar, foram bem-vindas nas sociedades em que
foram firmadas, anunciando tempos novos nas interações
humanas.
Leis que propugnavam pela perseguição dos opositores dos mandatários,
enquanto ofereciam premiações a bajuladores e fâmulos covardes, quanto
oportunistas, foram derrotadas e substituídas tão logo se foi desenvolvendo o
amadurecimento dos legisladores dotados de mais nítida visão dos fundamentos
da
vida social.
Leis que favoreciam qualquer cidadão a concorrer a cargos públicos, por
concursos ou sufrágio popular, foram bem-vindas por significar o exercício da
justiça que estabelece a igualdade de direito entre pessoas de uma
sociedade.
É francamente perceptível que a verdadeira justiça ainda não é a virtude
mais apreciada em todas as sociedades do mundo.
Reconhecem-se, em incontáveis países, a força do arbítrio de consciências
dominadoras, governando pela força das armas ou pelo intelecto mal conduzido,
ou, ainda, pela troca de favorecimentos imorais ao arrepio de quaisquer
venerandas leis existentes.
Encontram-se povos que ainda suportam a fome de alimentos, num mundo onde
triunfa o desperdício e o mau uso dos bens públicos, a despeito de qualquer
legislação, por mais lúcida que seja.
Ainda se vê, nos dias da atualidade, o domínio de povos sobre povos por
causa de criminosos interesses no seu subsolo, nas suas riquezas culturais ou em
suas posições estratégicas para fins beligerantes ou
comerciais.
Tudo isso, porém, terá que passar um dia conforme os ensinamentos de
Jesus.
Todas as leis de exceção desaparecerão da Terra logo que tenham
desaparecido os motivos que levaram indivíduos ou sociedades a se inscrever em
difíceis processos de expiação.
Como a cada
um
será concedido conforme suas obras, o Cristo não veio para
quebrar a ordem vigorante no Universo, e a lei de causa e efeito faz parte dessa
ordem, respondendo pela Justiça Divina.
No entanto, para poupar os justos dos efeitos drásticos do desequilíbrio
humano, os tempos
serão abreviados, em atendimentos aos preceitos da Misericórdia
do Alto, diminuindo as agruras, as asperidades desses dias
difíceis.
As leis de Deus, que Jesus não veio descumprir, são de perfeita justiça
mas, igualmente, de perfeito amor. Nelas nenhum privilégio, nenhuma concessão
indevida.
Jesus Cristo é Aquele que não veio destruir as leis divinas. Veio, em
verdade, dar-lhes execução, desarticulando as leis humanas que, em oposição aos
preceitos do Criador, ainda semeiam sombras, ainda impõem brutalidade e apóiam a
indignidade com que são tratadas tantas comunidades
indefesas.
(Fonte:
Quem é o Cristo? De J. Raul Teixeira, pelo Espírito Francisco de Paula Vitor –
Ed. Fráter)