A INDISPENSÁVEL VITÓRIA

 “Eu venci o mundo.”Jesus (Mt, 14:27)

 

      Ele chegara ao mundo das espessas sombras num período decisivo para todos quantos no mundo se achavam.

       Viera apresentar um modo diferente de viver, de enfrentar dificuldades, de tratar amigos e adversários perseguidores. Viera, ainda, ensinar quão precário é o poder do mundo da matéria e quão passageiras são as posses que mudam de mãos num piscar de olhos.

          Disse Jesus que amigo é aquele que é capaz de dar a sua vida pela do outro. E Ele mesmo ofertou a Sua a todos, pois todos eram alvos de Seu amor.

          Jesus orientou para que amássemos os inimigos e orássemos pelos perseguidores e caluniadores. E Ele o fez de maneira comovedora.

          Ensinou o Mestre que não deveríamos nos perturbar pela posse do ouro. E Ele, por seu turno, não tinha onde reclinar a cabeça.

          Sugeriu o Senhor nos ocupássemos por conquistas as verdadeiras riquezas para a alma: aquelas que não sofrem a ação das traças, os desgastes do tempo, tampouco a usurpação de gatunos. E viveu a exemplificar as mais afortunadas virtudes interiores da alma.

          Jesus Cristo chegou à Terra com disposição para alterar os estatutos dos preconceitos absurdos, para desfazer a teia da hipocrisia, ensinando-nos a construir conceitos novos sobre diversos elementos que marcam a vida terrena.

          À frente dos que vociferavam ansiosos por apedrejar a mulher flagrada em adultério, não desdenhou os princípios sociais das leis de Moisés, nem incentivou o movimento covarde. Reptou os que estivessem livres de erro, naquela área do comportamento, para que iniciassem o apedrejamento.

          Diante dos que O censuravam porque mantinha afável relacionamento com criaturas tidas como de vida irregular, surpreendeu a todos ao afirmar que são os doentes que têm necessidade de médico.

          A todo momento Jesus se reportava ao Criador como o Pai Celeste, Pai da imensa família cósmica. Afirmou que em Seus domínios muitas moradas havia, ao mesmo tempo em que asseverou que seus pais e seus irmãos eram todos os que, nos trilhos da luz do progresso, realizavam a vontade do Pai do Céu.

          A sua atuação à frente das mazelas humanas era de ensino e correção,  socorrendo o faltoso; a Sua postura junto aos rebeldes e aos indiferentes era de paciência, aguardando o trabalho do tempo enquanto lhes propunha a busca da harmonização íntima; diante das autoridades do mundo, vivenciava o respeito devido a sua função, sem descer ao nível do temor ou da bajulice injustificáveis.

          Em Jesus, tudo era luz de nova oportunidade. Com Jesus, o aprendizado de todo momento enriquecia os que O acompanhavam.

          Quando atraiçoado e detido, ensinou coragem e confiança no Pai. Sob o azorrague e sob a cruz que conduziu ao topo da montanha, deu testemunho da dor silenciosa e do sofrimento sem mágoa. Quando imolado, no madeiro, de corpo macerado, levou a alma aos lábios e suplicou em favor dos algozes inconscientes.

          Ao regressar ao seio dos amigos, vencida a morte e rompida a lápida do túmulo, não poderia ser outro o Seu cântico de glória e sua determinação de confiança: Tende bom ânimo, porque eu venci o mundo.

          Sem embargo, Jesus vencera o mundo das aparências, das ilusões, da soberba, das vinditas, das paixões inferiores, enfim.

          Ele é quem nos ensina, com a Sua própria vida, a não nos submeter a esses tempos de obsessões variadas que vergastam a vida no nosso planeta. Jesus é aquele que nos reforça a coragem para sermos capazes de controlar as paixões terrenas subalternas, para não sucumbirmos ao seu império devastador, alcançando essa importantíssima vitória sobre nós mesmos e sobre o mundo.

(De “Quem é o Cristo?”, de J. Raul Teixeira,