COM UM
BEIJO
"E logo que chegou,
aproximou-se Dele e
disse-lhe: - Rabi, Rabi. E beijou-O". Marcos,
14:45.
Ninguém pode
turvar a fonte doce da afetividade em que todas as criaturas se dessedentam
sobre o mundo.
A amizade é a sombra amiga da árvore do amor
fraterno. Ao bálsamo de sua suavidade, o tormento das paixões atenua os
rigores ásperos. É pela realidade do amor que todas as forças celestes
trabalham.
*
Com isso, reconhecemos as manifestações de
fraternidade como revelações dos traços sublimes da criatura.
Um
homem estranho à menor expressão de afeto é um ser profundamente
desventurado. Mas, aprendiz algum deve olvidar quanta vigilância é
indispensável nesse capítulo.
*
Jesus, nas horas derradeiras,
deixa uma lição aos discípulos do futuro.
Não são os inimigos
declarados de Sua Missão Divina que vêm buscá-Lo em Gethsemani. É um
companheiro amado. Não é chamado à angústia da traição com violência.
Sente-se envolvido na grande amargura por um beijo. O Senhor conhecia a
realidade amarga. Conhecera previamente a defecção de Judas: "É assim que me
entregas"? - falou ao discípulo. O companheiro frágil perturba-se e
treme.
*
E a lição ficou gravada no Evangelho, em silêncio,
atravessando os séculos.
É interessante que não se veja um
sacerdote do templo, adversário franco de Cristo, afrontando-lhe o olhar
sereno ao lado das oliveiras contemplativas.
É um amigo que lhe
traz o veneno amargo.
*
Não devemos comentar o quadro, em vista
de que, quase todos nós, temos sido frágeis, mais que Judas, mas não podemos
esquecer que o Mestre foi traído com um beijo.
***
(De "Alma e Luz",
de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito
Emmanuel)