DESCULPA SEMPRE
Por mais graves te pareçam as
faltas do próximo, não te detenhas na reprovação.
Condenar é cristalizar as
trevas, opondo barreiras ao serviço da luz.
Procura nas vítimas da maldade
algum bem com que possas soerguê-las, assim como a vida opera o milagre do
reverdecimento nas árvores aparentemente mortas.
Antes de tudo, lembra quão
difícil é julgar as decisões de criaturas em experiências que divergem da
nossa!
Como refletir, apropriando-nos da consciência alheia, e como sentir a
realidade, usando um coração que não nos pertence?
Se o mundo, hoje, grita
alarmado, em derredor de teus passos, faze silêncio e espera...
A observação
justa é impraticável quando a neblina nos cerca.
Amanhã, quando o equilíbrio
for restaurado, conseguirás suficiente clareza para que a sombra te não altere
o
entendimento.
Além disso, nos problemas de crítica, não te suponhas isento
dela.
Através da nociva complacência para contigo mesmo, não percebes quantas
vezes te mostras menos simpático aos semelhantes!
Se há quem nos ame as
qualidades louváveis, há quem nos destaque as cicatrizes e os defeitos.
Se há
quem ajude, exaltando-nos o porvir luminoso, há quem nos perturbe,
constrangendo-nos à revisão do passado escuro.
Usa, pois, a bondade, e
desculpa incessantemente.
Ensina-nos a Boa Nova que o Amor cobre a multidão
dos pecados.
Quem perdoa, esquecendo o mal e avivando o bem, recebe do Pai
Celestial, na simpatia e na cooperação do próximo, o alvará da libertação de si
mesmo, habilitando-se a sublimes renovações.
(De "Fonte Viva", de
Francisco Cândido Xavier - Emmanuel)