FÉ E CORAGEM
Proclamar
as próprias convicções, notadamente diante das criaturas que se nos façam
adversas, é coragem de fé, no entanto, semelhante afirmação de valor não
se restringe a isso.
O
assunto apresenta outra face não menos importante: o desassombro da tolerância
pelo qual venhamos a aceitar os outros como os outros são sem recusar-lhes
auxílio.
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Cunhar
pontos de vista e veiculá-los claramente é sinal de espontaneidade e
franqueza, marcando alma nobre.
Compreender
amigos e adversários, simpatizantes ou indiferentes do caminho, estendendo-lhes
paz e fraternidade, é característico de paciência e bondade, indicando
alma heróica.
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Demonstra
a própria fé, perante todos aqueles que te compartilham a estrada, mas
não deixe de amá-los e servi-los, quando se patenteiam distantes dos princípios
que te norteiam.
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Reportamo-nos
a isso, porquanto, junto dos companheiros leais, surgirão sempre os companheiros
difíceis. Esse de quem esperava testemunhos de amor e bravura, nas horas
graves, foi o primeiro que te deixou a sós, nos momentos de crise; aquele,
em cujo coração plantaste sinceridade e confiança, largou-te ao ridículo,
quando a maioria mudou, transitoriamente, de opinião; aquele outro a quem
deste máximo apreço te retribuiu com sarcasmo; e aquele outro, ainda, é o
que te criou problemas e inquietações, depois de lhe haveres dado apoio
e vida. Todos eles, porém, se nos erguem na escola do mundo por testes
de persistência no bem.
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A
coragem da fé começará sempre através da veemência com que exponhamos
as próprias idéias, diante da verdade, entretanto, só se realizará em
nós e por nós, quando tivermos a necessária coragem para compreender
todos os homens, - ainda mesmo os nossos mais ferrenhos
perseguidores, - como nossos verdadeiros irmãos e filhos
de Deus.
(De "Mãos
Unidas", Francisco Cândido Xavier/Emmanuel)