MARCHA SOLDADO
— Psiu! não faça barulho! Vovô dorme!...
— Não corra assim!... — Não grite, Manuel!...
...É o que ouço naquela casa enorme,
se brinco de soldado de papel!
O Vovô na cadeira, bem calado,
fica quieto... mas ri quando me vê.
Ri, porque assim não fica abandonado
dormindo com o jornal que ele nem lê.
Eu bato no tambor todo contente,
eu marcho e canto e sempre cantarei!
Porque, mais do que sabe aquela gente,
do que gosta o Vovô eu é que sei!
O Vovô me contou o seu segredo:
ele foi pequenino como eu!
Brincou de soldadinho e então, sem medo,
batia num tambor igual ao meu !...
Ninguém sabe essa história e, mais ainda,
ninguém ouviu o que ele disse a mim,
um dia em que eu tocava a marcha linda
que eu sei tocar tão bem ! Olhe: esta assim!
Ele me disse: “Eu gosto que a meu lado
você faça barulho, Manuel!
Pois penso que voltou todo o passado...
que marcho de cabeça de papel!”
E é por isso que eu mimo o bom velhinho
com meus cantos de guerra , meu tambor...
Ele gosta, coitado!... e diz baixinho:
“Marcha soldado!... Marcha meu amor!”
Maria A. Veloso
(De “O Livro dos Espíritos para a juventude”
, de Eliseu Rigonatti)