Dominus Vobiscum
O Senhor esteja convosco
Na
noite em que Avaré Barbosa deixou o corpo físico impregnado de cobiça, prazeres
dissolutos e mágoas corrosivas, Atanasius Cireneu orava.
Quando
Avaré adentrou a treva densa indo locupletar-se nos miasmas asfixiantes,
deleitando-se nas energias grosseiras dos despachos de esquina, onde entidades
infelizes "bebem" a seiva vital de aves mortas ou "aspiram" a chupetinha do
capeta (guimbas de cigarro), Atanasius orava.
Quando
Avaré dirigiu-se a antigo prostíbulo para rever antigas vampiras queridas indo
participar de uma bacanal aos moldes romanos, Atanasius orava.
Quando
Avaré sofreu sevícias psíquicas, que os mortos-vivos sofrem nos covis de
obsessores peçonhentos, Atanasius orava.
Quando
Avaré recebeu hipnose violenta que o fizera acreditar ser um animal (licantropia),
Atanasius orava.
Quando
Avaré foi levado a humilde reunião desobsessiva, recobrando parte de sua
consciência, Atanasius orava.
Quando
Avaré arrependido pediu maleme, glória a Deus, perdão... e levemente orou, viu o
quanto Atanasius trabalhou.
Neste
instante de reflexão, um coral de vozes felizes, amigas de Avaré fez cintilar
antiga frase dos primeiros patriarcas do Cristianismo Primitivo que dizia: "Dominus
vobiscum".
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Desde
o século III depois do Cristo, Atanasius Cireneu trabalhava e orava por seu
pupilo.
Ânima Oratore
Janeiro de 2000
Maleme = "perdão", em iorubá. |