O Velho Ota

 

No início dos anos 80, quando eu freqüentava o Centro Espírita Pedro Rosa de Jesus (já extinto), tive a oportunidade de manter um bom relacionamento com um grande amigo, ao qual chamávamos carinhosamente de “Velho Ota”, já de idade avançada, com seus cabelos totalmente brancos, de baixa estatura, franzino até, que não dispensava o uso de paletó, mesmo quando a temperatura era alta.
Em sua lida naquele Centro, às vezes tirava uma de “doutrinador”.
Certa feita, em uma reunião mediúnica, em trabalho de socorro espiritual, do qual também sempre fiz parte, estava lá o velho Ota a doutrinar os espíritos, quando presenciei a seguinte cena:

Através de um dos médiuns, o espírito comunicante, bastante enraivecido, começou a dizer impropérios, reclamar dos presentes, dizendo não saber o que estava fazendo ali no meio de gente idiota etc. e etc.
O Velho Ota, calmamente, começou a dialogar com o espírito embravecido, falando-lhe dos ensinamentos de Jesus, procurando tranqüiliza-lo, coisa que sabia fazer, pois era um estudioso da Doutrina Espírita e já tinha muitos anos de militância na doutrina consoladora.
Porém, o espírito não queria saber de conversa, dizia já saber de tudo aquilo, que o doutrinador estava falando... o que ele queria mesmo, era acabar com aquele grupo de idiotas.
Nesse ínterim, o velho “doutrinador”, já cansado do diálogo infrutífero, falou para o espírito: “Se você não se comportar, vou lá fora e pego meu facão Corneta de 22 polegadas e lhe dou umas boas panadas no seu lombo”.
Imediatamente o espírito lhe respondeu: “Você sabe muito bem, que não poderá me atingir com seu facão”...
O Velho Ota respirou fundo e disse: “Sei perfeitamente que não lhe atingirei com meu facão, mas com certeza, deixarei boas marcas no corpo desse médium safado”...
Pronto! Foi a gota dágua... A comunicação parou de chofre e, até hoje, não sabemos se era uma comunicação do além, ou se era uma mistificação do aquém.

Plutarchus