HUMILDADE

 


Concluíra Élfego Nazário Gomes – o nobre irmão Fêgo, como era conhecido em todo o Sergipe, os estudos evangélicos na humilde choupana transformada em Centro Espírita e se dispunha a atender os inúmeros sofredores que lhe vinham buscar os abençoados recursos do passe e da palavra iluminada, quando estacionou à porta luzido automóvel; último modelo e de preço elevado.

Dele saltaram duas senhoras e um cavalheiro visivelmente perturbado. Após informar-se quem seria o Irmão Fêgo, a dama representativa da sociedade de largos recursos financeiros aproximou-se do trabalhador espírita, e indagou, algo conturbada.
Mas, é o senhor, o Irmão Fêgo? Que pena! É apenas um negro!
Havia no desabafo azedume e desprezo

.O apóstolo do Cristo, Humilde, percebendo que a senhora também se encontrava em desconforto moral e possivelmente anatematizada por Espíritos desditosos, sorriu, sereno e retrucou:


Não sou totalmente negro, minha irmã. Tenho os dentes muito alvos... Mas o que importa aqui não é a cor da pele e sim da aura ... Traga o doente para o socorro do passe e venha a senhora também...

Surpreendida pela franca lição de amor e humildade, a visitante apresentou o esposo obsidiado que após o concurso da caridade, logo demonstrou melhoras e ela mesma assistida pela palavra simples e luminosa do trabalhador, afastou-se renovando os conceitos até então esposados, tornando-se espírita mais tarde e fazendo-se devota amiga do Seareiro da Luz.

(Panoramas da Vida – Divaldo P. Franco – pelo Espírito Ignotus – Livraria Espírita Alvorada)