Caridade, a grande Virtude
José Francisco Costa Rebouças
Toda moral ensinada por Jesus, se resume em duas simples palavras: Caridade
e
Humildade, isto é, nas duas maiores virtudes em que devemos concentrar
todas as nossas forças em desenvolvê-las, se pretendemos erradicar
de nosso espírito o egoísmo que até hoje nos mantém
presos às teias da ignorância.
Em tudo que ensinou, chamou-nos a atenção apontando essas duas
virtudes como sendo as que poderão nos conduzir de encontro à eterna
e verdadeira felicidade. Falou-nos ele: “Bem-aventurados os pobres de espírito,
isto é os simples, os humildes, porque deles é o reino dos céus;
e continuou a nos ensinar; bem-aventurados os que têm puro o coração;
bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados
os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós
mesmos; fazei aos outros o que gostaria que vos fizessem; amai os vossos inimigos;
perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação;
julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros; não saiba
a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”.
Em todas estas passagens de seus ditos se pode tirar o ensinamento maior resumindo
em caridade e humildade, eis o que não cessa de recomendar e exemplificar
em todas as suas ações. Em tudo que pregou em sua passagem pelo
nosso planeta, não cansou de combater o orgulho e o egoísmo que
são sem dúvida as duas grandes chagas a corroer a humanidade.
O Mestre maior de todos nós não se limitou apenas a recomendar
a caridade, põe-na como condição absoluta para a conquista
da felicidade futura, assegurando-nos que as ações empreendidas
pelos caridosos com certeza lhes assegurarão uma melhor posição
no futuro quando a justiça divina nos chamar para a prestação
de contas, como nos ensinou também em outra oportunidade “a cada
um segundo as suas obras”.Na Parábola do Bom Samaritano, considerado herético, mas que
naquele
momento pratica o amor ao próximo, Jesus coloca-o acima do ortodoxo que
falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como
uma das condições para a salvação, mas designa como
condição única. Se outras houvesse que a substituíssem
ele as teria ensinado.Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que
ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência,
a indulgência, a justiça, etc., e também porque significa
a negação absoluta do orgulho e do egoísmo naquele que
a pratica.
O Espiritismo sendo o Cristianismo Redivivo, ou seja o cristianismo na sua pureza inicial, vem reafirmar os ensinos do seu criador com a máxima: “Fora da caridade não há salvação”, máxima essa que consagra o princípio da igualdade perante Deus, e da liberdade de consciência, deixando a todos a escolha da maneira como queiram seguir adorando o Pai Celestial, não pregando que fora do espiritismo não há salvação, pois bem sabe que o Cristo não fundou nenhuma religião, por isso mesmo respeita a liberdade de crença de todos os seus irmãos em humanidade, pois em qualquer corrente religiosa a que pertença o homem, terá aí mesmo a oportunidade de seguir os ensinamentos de Jesus.
Dediquemo-nos portanto meus irmãos à prática da caridade ensinada no evangelho de Jesus, pois ela nos ajudará não só a evitar a prática do mal, mas também nos impulsionará em direção ao trabalho no bem, e para a prática do bem uma só condição se faz indispensável: a nossa vontade, pois para a prática do mal basta apenas a inércia e a despreocupação, agradeçamos pois a Deus nosso Pai, por nos permitir encontrar em nossa estrada evolutiva a bênção de gozar da luz do Espiritismo.
Não significa achar que só os espíritas serão salvos; é que
ajudando-nos a melhor compreensão dos ensinos do Cristo, ele nos faz,
se seguirmos seus ensinos, melhores cristãos, confirmando por nossas ações
que verdadeiros espíritas e verdadeiros cristãos são uma
só e a mesma coisa, pois todos quantos praticam a caridade são
discípulos de Jesus, não importando para tanto, que pertençam
a esta ou àquela seita religiosa.