A evocação dos Espíritos
José Queid Tufaile Huaixan
O termo "evocar" vem do latim "evocare" e significa chamar alguém, de algum lugar. Segundo as definições do Dicionário Aurélio, presta-se mais particularmente ao chamamento dos seres espirituais.
Podemos evocar todos os Espíritos, seja qual for o grau da escala a que pertençam: os bons e os maus, os que deixaram recentemente a vida e os que viveram nas épocas mais distantes, os homens ilustres e os mais obscuros, os nossos parentes, os nossos amigos e os que nos foram indiferentes, disse Allan Kardec.
Na Codificação, não existe nada que impeça a evocação dos Espíritos. No movimento espírita, há uma idéia generalizada de que as sociedades não devem evocar os desencarnados em suas reuniões mediúnicas. Não se sabe como uma coisa dessas, que trouxe tantos prejuízos aos serviços doutrinários, tenha sido absorvida com tanta facilidade pelos praticantes do Espiritismo. Parece que tudo começou com a interpretação distorcida que habitualmente costumamos dar aos livros e com a aceitação cega de tudo o que nos dizem os médiuns e os Espíritos.
O posicionamento contrário às evocações teve início com o médium mineiro Francisco Cândido Xavier. Devido ao tipo de trabalho de consolação que desenvolve, confortando aqueles que perderam entes queridos, seria natural que uma multidão o procurasse para receber mensagens da parentela desencarnada. É evidente que, por uma série de motivos, nem todos os Espíritos encontram-se em condições de produzirem mensagens consoladoras. Na impossibilidade de atender a todos que o procuravam, o médium criou uma espécie de slogan para justificar-se: O telefone toca de lá para cá.
Isto foi suficiente para que seus admiradores espalhassem no movimento a infeliz idéia de que não devemos chamar os Espíritos para se comunicarem. Envolvidos pela mística que cercava a missão de Chico, nem perceberam que divulgavam uma idéia radicalmente contrária às instruções dos Espíritos codificadores.
A história do telefone que chamava de lá para cá acabou refletindo-se nas comunicações dos instrutores espirituais que trabalhavam com o médium. Espíritos como Emmanuel e André Luiz ventilaram em alguns livros a orientação de que não se deveria fazer evocações em hipótese alguma. Recomendaram, inclusive, que as manifestações espontâneas fossem o caminho a ser seguido pelos adeptos do Espiritismo. Mais uma vez havia aí uma contradição doutrinária que ninguém notou:
Kardec foi claro ao dizer que as manifestações espontâneas é que são realmente perigosas e que preferia as evocações (1).
Não bastassem as funestas conseqüências dessas colocações, divulgadas sem maiores esclarecimentos pelos seguidores de Chico, a Federação Espírita Brasileira - FEB - resolveu seguir os mesmos passos dados em Uberaba, MG. Colocou no seu livreto, Orientação aos Centros Espíritas, esta mesma informação. Bastou a ação destas duas respeitáveis fontes para esparramar no movimento uma idéia contrária à Codificação.
De onde vieram os problemas
Estes são os textos que lançaram dúvidas sobre as evocações dos Espíritos. Opiniões assinadas por André Luiz e Emmanuel que, tomadas ao pé da letra, provocaram o impedimento das relações diretas com os desencarnados.
Livro: DESOBSESSÃO
Espírito: André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier
(Manifestação do enfermo espiritual III)
" No curso do trabalho mediúnico, os esclarecedores não devem constranger os médiuns psicofônicos a receberem os desencarnados presentes, repetindo ordens ou sugestões nesse sentido, atentos ao preceito de espontaneidade, fator essencial ao êxito do intercâmbio".
Livro: O CONSOLADOR
Espírito: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Pergunta 369: É aconselhável a evocação direta de determinados Espíritos?
Resposta: "Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum. Se essa evocação é passível de êxito, sua exeqüibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto no complexo dos fenômenos espiríticos, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina. O estudioso bem intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade de sua posição evolutiva e segundo o merecimento de seu coração”.
" Podereis objetar que Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada à necessidade e méritos distantes da esfera de atividade dos aprendizes comuns".
Livro: O CONSOLADOR
Espírito: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Questão 380.
" Não é justo provocar ou forçar a comunicação com esse ou aquele desencarnado. Além de não conhecerdes as possibilidades de sua nova condição na esfera espiritual, deveis atender o problema de vossos méritos”.
Qualquer comunicação com o invisível deve ser espontânea, e o espiritista cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano ponderando quanto à necessidade de repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais conveniente e oportuno “.
As colocações feitas por estas entidades, que assinaram André Luiz e Emmanuel, através de Chico Xavier, foram interpretadas radicalmente e estabeleceram graves limites ao desenvolvimento dos médiuns espiritistas. Colocando Kardec na esfera dos missionários, o suposto Emmanuel põe a evocação como um objeto de uso particular dos que são mestres. Deixa transparecer a idéia de que os trabalhadores devam estar sempre na espera das decisões do invisível, aguardando sua justa decisão. Na Codificação não há nenhuma colocação de Allan Kardec ou dos Espíritos Superiores que corroborem tais afirmativas.
José Herculano Pires, conhecido líder espírita já desencarnado, dizia que posições extremadas em relação às obras complementares deveriam ser evitadas. Esta nos parece uma situação assim. Por mais respeito que mereçam o médium e o nome das entidades citadas, acreditamos que suas colocações devam ser recebidas tão só como opiniões pessoais, principalmente por estarem em conflito com a Codificação. As Obras Básicas apresentam sobre o assunto argumentos bem mais consistentes e, a não ser que o controle universal dos Espíritos autorize, devemos continuar guiando nossos trabalhos através dos conceitos da Codificação. Não há dúvida de que Kardec pediria explicações a esses Espíritos.
A obsessão e seu tratamento espírita
Sabemos que existem variados tipos de obsessões, quanto à sua causa e intensidade. Allan Kardec diz que as obsessões comuns, que ele denominava obsessão simples, constituem-se mais num incômodo do que num constrangimento (2).
Podem ser resolvidos até por um esforço moral do médium ou do enfermo. Vale dizer que esses processos obsessivos comuns são curados até nas palestras públicas, onde a pessoa é estimulada a modificar-se intimamente. Curas essas, que também acontecem nas Igrejas Evangélicas bem orientadas. Ao se modificarem as disposições morais, as ligações mórbidas com o Espírito obsessor são rompidas. Casos de alterações emocionais - causadas pela influência de sofredores desencarnados - podem ser curados da mesma forma.
Mas, nas situações em que estão presentes as obsessões degeneradas, a fascinação e a subjugação moral ou corpórea, tudo se modifica. O Codificador enfatizou a necessidade de evocarmos o obsessor através de um médium preparado, para educá-lo.
" Nos casos de obsessão grave, o obsedado está como que envolvido e impregnado por um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É necessário livrá-lo desse fluido”.
Mas um mau fluido não pode ser repelido por outro da mesma espécie. Por uma ação semelhante a que o médium curador exerce nos casos de doença, é preciso expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluido melhor, que produz, de certo modo, o efeito de um reagente. Esta é a que podemos chamar de ação mecânica, mas não é suficiente. Faz-se também necessário, e acima de tudo, agir sobre o ser inteligente, com o qual se deve falar com autoridade, sendo que esta autoridade só é dada pela superioridade moral. Quanto maior for esta, tanto maior será a autoridade.
E ainda não é tudo, pois para assegurar a libertação, é preciso convencer o Espírito perverso a renunciar aos seus maus intentos; despertar-lhe o arrependimento e o desejo do bem, através de evocações particulares, feitas no interesse de sua educação moral. Então, pode-se ter a dupla satisfação de libertar um encarnado e converter um Espírito imperfeito “- (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 28, item 81, Parágrafos 4 e 5)”.
Se não há evocações no centro espírita, a casa fica impedida de curar obsessões desta natureza, deixando de realizar uma das mais importantes obras do Espiritismo: a libertação obsessiva. Não se pode negar que um ou outro caso de obsessão possam ser curados através das manifestações espontâneas. No entanto, se a casa atender um número razoável de enfermos, não haverá controle das informações vindas pelos médiuns. A desobsessão exige estudo de causas. Uma equipe mediúnica que se dedique a esta importante tarefa tem que se desdobrar para sondar os motivos que levaram o paciente à obsessão. Além disso, precisa estudar as delicadas nuanças existentes nos processos, orientando desencarnado e encarnado, reconduzindo-os ao equilíbrio. Não dá para fazer isso sem a evocação. Ao impedirmos as evocações, todo um campo de pesquisa se fecha e tudo fica entregue à espontaneidade do acaso. Talvez, venha daí a pobreza de idéias existente em toda parte e a ausência de mensagens edificante, que poderiam estar sendo recebidas em cada núcleo. Pode ser esta a fonte da improdutividade que fez o centro espírita fraco e o fechou num triste círculo vicioso, de onde se faz necessário sair com urgência.
Obstáculos às evocações
Kardec faz algumas ressalvas às evocações. Ele diz, por exemplo, que os médiuns que atendem às evocações precisam ter uma certa flexibilidade que não se encontra em toda parte. O problema, segundo ele, está nas relações fluídicas que a entidade evocada precisa ter com o médium, para que exista a comunicação. Isso, no entanto, não constitui impedimento à prática e o próprio Codificador ofereceu a solução (3).
A experiência tem demonstrado que um médium comum recebe variadas faixas de Espíritos. Se isso não fosse verdade, iríamos ter uma multidão de medianeiros que só receberia um tipo de Espírito. O Codificador fala que aqueles que trabalham recebendo só uma "faixa" de entidades estão próximos da obsessão. O normal é que recebam certa variedade de Espíritos. Essas variações naturais permitem que, numa equipe de médiuns, possa se contar com a flexibilidade suficiente para fazer das evocações uma prática rotineira.
Kardec faz ainda uma outra colocação sobre as evocações: é o fato das equipes que se prestam às evocações serem procuradas para atenderem interesses particulares. Ele diz que só com reservas esses pedidos devem ser atendidos, evitando que o médium se transforme em instrumento de consultas.
A última ressalva encontrada em O Livro dos Médiuns trata dos iniciantes e das equipes despreparadas. Ele aconselha que os novatos não evoquem os Espíritos, por causa das dificuldades fluídicas e da inexperiência (4). Só a certeza do grau de maturidade da faculdade e dos Espíritos que assistem uma equipe mediúnica poderá garantir a segurança das evocações e mesmo das manifestações espontâneas.
O Livro dos Médiuns
O Livro dos Médiuns traz um capítulo inteiro dedicado às evocações. De fora a fora, ele não faz nenhuma referência contra tal procedimento, a não ser os cuidados que a equipe de desobsessão deva tomar. Vai mais longe, afirmando textualmente que, quando um centro espírita deixa de utilizar uma das duas formas de manifestações - as espontâneas e as evocadas - sofre prejuízos evidentes. Os dirigentes que estão se propondo a modernizar suas casas espíritas precisam deixar esta linha de raciocínio contrária às evocações. Que busquem um estudo metódico do Capítulo XXV de O Livro dos Médiuns, onde a questão é tratada de forma madura e sensata. O texto abaixo esclarece grande parte das dúvidas que pairam sobre a evocação dos Espíritos:
“ Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente ou atender ao nosso apelo, isto é, ser evocados”.
Algumas pessoas acham que não devemos evocar nenhum Espírito, sendo preferível esperar o que quiser comunicar-se. Entendem que chamando determinado Espírito não temos a certeza de que é ele que se apresenta, enquanto o que vem espontaneamente por sua própria iniciativa, prova melhor sua identidade, pois revela assim o desejo de conversar conosco. Ao nosso ver, isso é um erro.
Primeiramente porque estamos sempre rodeados de Espíritos, na maioria das vezes inferiores, que anseiam por se comunicar. Em segundo lugar, e ainda por essa mesma razão, não chamar nenhum em particular é abrir a porta a todos que querem entrar. Não dar a palavra a ninguém numa assembléia é deixá-la livre a todos, e bem sabemos o que disso resulta.
O apelo direto a determinado Espírito estabelece um laço entre ele e nós: o chamamos por nossa vontade e assim opomos uma espécie de barreira aos intrusos. Sem o apelo direto um Espírito muitas vezes não teria nenhum motivo para vir até nós, se não for um nosso Espírito familiar.
Essas duas maneiras de agir têm as suas vantagens e só haveria inconveniente na exclusão de uma delas. As comunicações espontâneas não têm nenhum inconveniente quando controlamos os Espíritos e temos a certeza de não deixar que os maus venham a dominar. Então é quase sempre conveniente aguardar a boa vontade dos que desejam manifestar-se, pois o pensamento deles não sofre dessa maneira nenhum constrangimento e podemos obter comunicações admiráveis, enquanto o Espírito evocado pode não estar disposto a falar ou não ser capaz de o fazer no sentido que desejamos. Aliás, o exame escrupuloso que aconselhamos é uma garantia contra as más comunicações.
Nas reuniões regulares, sobretudo quando se desenvolve um trabalho seqüente, há sempre espíritos que as freqüentam sem que precisemos chamá-los, pela simples razão de já estarem prevenidos da regularidade das sessões. Manifestam-se quase sempre espontaneamente para tratar de algum assunto, desenvolver um tema ou dar uma orientação. Nesses casos é fácil reconhecê-los, seja pela linguagem que é sempre a mesma, seja pela escrita ou por certos hábitos peculiares “- (Allan Kardec - O Livros dos Médiuns - Capítulo XXV, item 269)”.
Conclusão
Mediante o exame das colocações kardequianas dá para se concluir que os centros espíritas que eliminam as práticas evocativas estão se incapacitando para curarem as obsessões e se conduzindo em desacordo com as instruções do Codificador. Para Allan Kardec, o relacionamento com os Espíritos era um fenômeno muito natural. No movimento espírita da atualidade, esta relação acabou sendo considerada de direito só para pessoas dotadas de uma moral especial. É bem possível que pelo natural respeito que emana de Francisco Cândido Xavier, as pessoas que o ajudaram a examinar as mensagens deixaram de pedir esclarecimentos complementares às entidades comunicantes, sobre pontos obscuros. A questão das evocações parece ser um deles. A prática do Espiritismo que se encontra na maioria dos centros é bem diferente da recomendada por Kardec.
Basta uma leitura rápida de O Livro dos Médiuns, para se conscientizar disso.
Atualmente, a conduta mediúnica está muito próxima da contemplação. Nela, o indivíduo se sujeita às vontades do invisível e dele tudo espera. A falta de conhecimentos doutrinários básicos se estende a outros setores da vida espírita. Administrativamente, por exemplo, o Codificador deixou-nos preciosas instruções de como lidar com a entrada de novos elementos nas sociedades. Falou dos cuidados que deveríamos ter com as sessões práticas e de como seria possível lidar com os elementos desordeiros.
Tudo isso ficou no esquecimento. Se o problema ocorresse só nas casas espíritas mais simples, poderia ser uma questão de falta de esclarecimento. Mas, não é assim. Há homens públicos que desconhecem a obra do Codificador e do Espírito de Verdade.
É necessário modificarmos este estado de coisas. As obras da Codificação precisam voltar a ser estudadas em ritmo de urgência. Os espíritas novatos devem buscar orientações morais e práticas em O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns. Em nenhuma circunstância se começa a estudar pelas obras complementares.
Nenhum homem deve se colocar na dependência deste ou daquele Espírito. Cada qual busque aprender, pensar e avaliar por si. Que as coisas sejam examinadas com a inteligência e o bom senso e que se deixe de lado o que parecer indevido, venha de onde vier.
Jesus e o Espírito de Verdade nos chamam para o despertar. É o momento de renovarmos os conhecimentos que dispomos. Amor, espírito de progresso e de lutas pelo Reino do Bem.
Referências:
1 - "Dois sistemas igualmente preconizados e praticados se apresentam na maneira de receber as comunicações de além-túmulo: uns preferem esperar as comunicações espontâneas, outros as provocam por um apelo direto a este ou aquele Espírito. Pretendem os primeiros que na ausência de controle para estabelecer a identidade dos Espíritos, esperando a sua boa vontade ficamos menos expostos a ser induzidos em erro; desde que o Espírito fala é porque está presente e quer falar, ao passo que não temos certeza de que aquele que chamamos possa vir e responder. Os outros objetam que deixar falar o primeiro que apareça é abrir a porta a bons e maus.“ A incerteza da identidade não é objeção séria, pois muitas vezes dispomos do meio de a constatar, sendo, aliás, a constatação objeto de um estudo ligado aos mesmos princípios da ciência. O Espírito que fala espontaneamente limita-se quase sempre às generalidades enquanto as perguntas lhe traçam um quadro mais positivo e instrutivo.Quanto a nós, apenas condenamos a exclusividade de sistemas. Sabemos que ótimas coisas são obtidas de um e de outro modo. E se preferimos o segundo, é que a experiência nos ensina que nas comunicações espontâneas os Espíritos mistificadores não deixam de enfeitar-se com nomes respeitáveis tanto quanto nas evocações. Tem mesmo o campo mais livre, ao passo que com as perguntas nós os dominamos muito mais facilmente, sem contar que as questões têm incontável utilidade nos estudos. É a esta maneira de investigar que devemos a quantidade de observações recolhidas diariamente e que nos permitem penetrar mais profundamente nesses extraordinários mistérios. Quanto mais avançamos, mais se nos alarga o horizonte, mostrando o quanto é vasto o campo que devemos ceifar." As numerosas evocações que temos feito permitiriam lançássemos o olhar investigador sobre o mundo invisível, de um a outro extremo, isto é, tanto naquilo que há de mais ínfimo quanto no que há de mais sublime. A incontável variedade de fatos e de caracteres brotados desses estudos realizados com calma profunda, com atenção contínua e com circunspecção prudente de observadores sérios, abriu-nos os arcanos desse mundo para nós tão novo" - (Allan Kardec na Revista Espírita, número de setembro de 1859, artigo: Processo para afastar os maus Espíritos).
2 - "Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante, raramente é enganado. Assim, esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição" - (Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, Capítulo 23, item 238).
3 - "Em princípio, quando se trata de uma evocação nova, o médium deve sempre evocar seu guia espiritual e perguntar se ela é possível. Em caso afirmativo perguntar ao Espírito evocado se encontra no médium a aptidão necessária para transmitir seu pensamento. Se tiver dificuldade ou impossibilidade, pedir-lhe que o faça através do guia do médium ou aceite sua assistência. Neste caso o pensamento do Espírito chega de segunda mão, isto é, depois de ter atravessado dois meios”. Compreende-se, então, quanto importa que o médium seja bem assistido, porque se for por um Espírito obsessor, ignorante ou orgulhoso a comunicação será alterada. Aqui as qualidades pessoais do médium forçosamente representam um papel importante, pela natureza dos Espíritos que atrai a si. Os mais indignos médiuns podem ter poderosas faculdades; mas os mais seguros são os que a essa força juntam as melhores simpatias no mundo invisível. Ora, essas simpatias não são absolutamente garantidas pelos nomes mais ou menos imponentes dos Espíritos que assinam as comunicações que recebem “- (Allan Kardec na Revista Espírita, número de Abril de 1865, no artigo” Resposta do irmão morto ao irmão vivo).
4 - Pergunta: Será inconveniente evocar Espíritos inferiores e será de temer que eles dominem o evocador?
Resposta: "Eles só dominam os que se deixam dominar. Quem for assistido por Espíritos bons nada tem a temer, porque se impõe aos Espíritos inferiores e não estes a ele. Os médiuns quando sós, principalmente quando iniciantes devem evitar esta espécie de evocações" - (O Livro dos Médiuns, Questão 282, item 11).